FORMAS POÉTICAS 36 — SEXTINA
A sextina é constituída por seis sextilhas, arrematadas por um terceto. As mesmas palavras repetidas formam as rimas. O final do último verso da sextilha anterior é repetido no primeiro verso da sextilha seguinte. Esse exemplo vem de Camões.
A sextina é constituída por seis sextilhas, arrematadas por um terceto. As mesmas palavras repetidas formam as rimas. O final do último verso da sextilha anterior é repetido no primeiro verso da sextilha seguinte. Esse exemplo vem de Camões.
SEXTINA IV
Sempre me queixarei desta crueza
Que Amor usou comigo quando o tempo,
Apesar de meu duro e triste fado,
A meus males queria dar remédio,
Em apartar de mim aquela vista,
Por quem me contentava a triste vida.
Levara- me, oxalá, trás ela a vida,
Para que não sentira esta crueza
De me ver apartado de tal vista!
E praza a Deus não veja o próprio tempo
Em mim, sem esperança de remédio,
A desesperação d'um triste fado!
Porém já acabe o triste e duro fado!
Acabe o tempo já tão triste vida,
Que em sua morte só tem seu remédio.
O deixar-me viver é mór crueza,
Pois desespero já de em algum tempo
Tornar a ver aquela doce vista.
Duro Amor! se pagava só tal vista
Todo o mal que por ti me fez meu fado,
Porque quiseste que a levasse o tempo?
E se o assim quiseste, porque a vida
Me deixas para ver tanta crueza,
Quando em não vê-la só vejo o remédio?
Tu só de minha dor eras remédio,
Suave, deleitosa e bela vista.
Sem ti, que posso eu ver senão crueza?
Sem ti, qual bem me pôde dar o fado,
Se não é consentir que acabe a vida?
Mas ele d'ela me dilata o tempo.
Asas para voar vejo no tempo,
Que com voar a muitos foi remédio;
E só não voa para a minha vida.
Para que a quero eu sem tua vista?
Para que quer também o triste fado
Que não acabe o tempo tal crueza?
Não poderão fazer crueza, ou tempo,
Força de fado, ou falta de remédio,
Que essa vista me esqueça em toda a vida.
Sempre me queixarei desta crueza
Que Amor usou comigo quando o tempo,
Apesar de meu duro e triste fado,
A meus males queria dar remédio,
Em apartar de mim aquela vista,
Por quem me contentava a triste vida.
Levara- me, oxalá, trás ela a vida,
Para que não sentira esta crueza
De me ver apartado de tal vista!
E praza a Deus não veja o próprio tempo
Em mim, sem esperança de remédio,
A desesperação d'um triste fado!
Porém já acabe o triste e duro fado!
Acabe o tempo já tão triste vida,
Que em sua morte só tem seu remédio.
O deixar-me viver é mór crueza,
Pois desespero já de em algum tempo
Tornar a ver aquela doce vista.
Duro Amor! se pagava só tal vista
Todo o mal que por ti me fez meu fado,
Porque quiseste que a levasse o tempo?
E se o assim quiseste, porque a vida
Me deixas para ver tanta crueza,
Quando em não vê-la só vejo o remédio?
Tu só de minha dor eras remédio,
Suave, deleitosa e bela vista.
Sem ti, que posso eu ver senão crueza?
Sem ti, qual bem me pôde dar o fado,
Se não é consentir que acabe a vida?
Mas ele d'ela me dilata o tempo.
Asas para voar vejo no tempo,
Que com voar a muitos foi remédio;
E só não voa para a minha vida.
Para que a quero eu sem tua vista?
Para que quer também o triste fado
Que não acabe o tempo tal crueza?
Não poderão fazer crueza, ou tempo,
Força de fado, ou falta de remédio,
Que essa vista me esqueça em toda a vida.
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