Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ACORDANDO DA EMBRIAGUEZ NUM DIA DE PRIMAVERA - Li Po

"A Vida no Mundo não é mais que um grande sonho;
Não estragarei isto por nenhum trabalho ou cuidado".
Dizendo assim, estive bêbado o dia todo,
Jazendo desamparado na varanda em frente de minha porta.
Quando acordei, pestanejei ao ver a grama do jardim;
Um pássaro solitário cantava entre as flores.
Eu me perguntei, tinha chovido ou feito bom tempo?
O vento da Primavera conversava com o pássaro da mangueira.
Movido por sua canção comecei logo a suspirar,
E como havia vinho lá enchi minha própria taça.
Cantando de modo selvagem esperei pela ascensão da lua;
Quando minha canção terminou, todos os meus sentidos se foram.

domingo, 9 de novembro de 2014

NÃO MATES AQUELA MOSCA! — Kobayashi Issa

Adendo a uma postagem anterior, que foi uma citação de Lin Yutang. Nela se lê:

Pensamento Incongruente
Não esmagues aquela mosca: ela está esfregando as mãos e os pés.
Lin Yutang, Com Amor e Ironia, 4

Agora, encontrei um haicai de Kobayashi Issa, que elabora a mesma ideia, com um toque a mais:

Olha, não mates aquela mosca!
Está te fazendo uma oração,
Esfregando as mãos e os pés.

sábado, 27 de setembro de 2014

A MORTE DA ESPOSA DE CHUANGTSE

Quando morreu a esposa de Chuangtse, Hueitse foi expressar-lhe condolências, mas encontrou Chuangtse sentado no solo e cantando uma canção, cujo ritmo marcava com batidas num vaso de barro. Hueitse censurou-o:
"O quê! Essa mulher viveu contigo e te deu filhos. Poderias, talvez, abster-te de chorar, ao morrer seu velho corpo. Mas não achas que é demasiado, bateres nesse vaso e cantares?"
Chuangtse respondeu:
"Estás equivocado. Quando morreu, não pude deixar de me sentir triste e emocionado, mas refleti que no começo ela não teve vida, e não somente vida, mas também não teve forma corpórea; e não somente forma corpórea, mas também não teve espírito. Arrebatada por esse fluxo sempre cambiante das coisas, ela chegou a ser espírito, o espírito se fez corpo, e o corpo teve vida. Agora, ela mudou outra vez e morreu, e assim fazendo se agregou à eterna procissão da primavera, verão, outono e inverno. Por que devo fazer tanto estardalhaço e chorar e lamentar-me por ela, quando seu corpo está ali, quieto, na casa grande? Isso seria não ser capaz de compreender o curso das coisas. Por isso é que deixei de chorar.

domingo, 21 de setembro de 2014

CHUANGTSE CONTEMPLANDO UM CRÂNIO

Chuangtse foi a Ch'u e viu um crânio vazio, com seu contorno seco e vazio. Golpeou-o com um látego e lhe perguntou: " Chegaste a isso porque amavas os prazeres e vivias desordenadamente? Eras um fugitivo que se ocultava da lei? Fizeste alguma maldade que envergonhou teus pais e tua família? Ou padeceste fome até morrer? Ou chegaste à velhice e morreste de uma morte natural?"
Depois de dizer isso, Chuangtse pegou o crânio e dormiu, usando-o como travesseiro.

Lin Yutang, A Importância de Viver, Capítulo 3, 3

quinta-feira, 24 de julho de 2014

segunda-feira, 21 de julho de 2014

SENTA-TE COM CALMA — Chen Chiju

Senta-te com calma por um momento e verás quanto andaste loucamente a correr à toa. Aprende a manter a boca fechada e verás como tens falado em demasia. Evita envolver-te em excessivo número de coisas e verás que tens perdido teu tempo em coisas desnecessárias. Fecha tua porta e verás que te tens misturado com demasiadas espécies de gente. Tem poucos desejos e verás por que tens tido tantas enfermidades. Sê humano e verás que tens criticado demais os outros.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

SOBRE A IMORTALIDADE - Chang Shihyuan [1755-1824]

  Todas as coisas vivas deste universo morrem. Entre plantas, aves, animais e insetos, uns nascem pela manhã e morrem à tarde, uns têm o período de um ano de vida, e uns duram dez, ou cem, ou mil anos. Mas todos morrem. A diferença está simplesmente na extensão do tempo.
  O mesmo é exato quanto ao homem. Quando está vivo, trabalha e se ocupa com alguma coisa, e preocupa-se e planeja como se fosse viver para sempre. Mas, quando seu espírito se dispersa e ele morre, não consegue sequer que cresça carne bastante para lhe cobrir os ossos brancos. A morte lhe chega exatamente como chega às plantas, aves, animais e insetos.
  Um homem educado tem consciência desse fato. Portanto, não encara a vida e a morte como dependentes da existência ou não existência da forma corpórea, e sim do desenvolvimento ou decadência de seu espírito de vida. Quando alguém está perfeitamente bem de corpo, mas seu espírito vital se foi, pode por certo ser tido como morto. Se, porém, o espírito de vida de alguém se desenvolveu para encontrar expressão em princípios de verdade e justiça, ou na literatura, torna-se ele então parte do grande rio da vida deste universo. Está liberto, então, dessa dependência de um corpo material.
  Nos clássicos e na história encontramos os sábios antigos, que morreram há muito tempo, mas cujas luzes brilham através das eras como as estrelas e o sol. Posso em verdade dizer que esses homens ainda estão vivendo conosco. Assim, ser o homem mortal ou imortal depende inteiramente do próprio homem. Todavia, todos os homens morrem e poucos realmente há que se tornam imortais. O intelectual deveria decidir-se e confiar em si mesmo.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

NOVE AMEIXAS E UMA IDÉIA





Como disse Chang Chao:
"Somente os que encaram despreocupadamente o que preocupa a gente mundana podem preocupar-se com aquilo que a gente mundana encara despreocupadamente."

domingo, 6 de julho de 2014

MEIAS ABÓBORAS E UM PROVÉRBIO CHINÊS





Sem relação com essas metades de abóbora:
"Sempre que você fizer alguma coisa, aja de forma que isto não dê a seus amigos nenhuma ocasião de desgosto, nem a seus inimigos nenhuma causa de alegria."
Lin Yutang, A Sabedoria da Índia e da China