Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


Mostrando postagens com marcador poeta espanhol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poeta espanhol. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CANÇÃO DE GINETE — García Lorca

Uma tradução apenas para dar a conhecer. Sem maiores pretensões, principalmente poéticas.

Córdova.
Distante e só.

Mula negra, lua grande,
e azeitonas em meu alforje.
Ainda que saiba os caminhos
eu nunca chegarei a Córdova.

Pela planície, pelo vento,
mula negra, lua rubra,
a morte me está mirando
desde as torres de Córdova.

Ai que caminho tão longo!
Ai minha mula valorosa!
Ai que a morte me espera,
antes de chegar a Córdova!

Córdova.
Distante e só.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PLATERO 1 — Juan Ramón Jiménez

Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio por fora, que se diria todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche de seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro.
Deixo-o solto, e se vai ao prado, e acaricia levemente com seu focinho, roçando-as apenas, as florezinhas rosas, celestes e amarelas... Chamo-o docemente: "Platero?", e vem a mim com um trotezinho alegre, que até parece que se ri, com um não sei que tilintar ideal...
Come tudo que lhe dou. Gosta de laranjas mandarinas, uvas moscatéis, todas de âmbar, os figos roxos, com sua cristalina gotinha de mel...
É terno e mimoso como um menino, uma menina...; mas forte e seco como se fosse de pedra. Quando passo, montado nele, nos domingos, pelas últimas ruas do povoado, os homens do campo, vestidos com roupas limpas e sem pressa, ficam a mirá-lo:
— É de aço...
É de aço. Aço e prata da lua, ao mesmo tempo.

domingo, 5 de outubro de 2014

SOBRE JIMÉNEZ E PLATERO

Juan Ramón Jiménez (1881–1958) foi um poeta espanhol, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1956.
É o autor de Platero e eu, um livro de poemas em prosa (narração lírica), que narra a vida e a morte do asno Platero. A primeira edição foi em 1914, há cem anos.
O asno "Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio por fora, que se diria todo de algodão" [...]

sábado, 4 de outubro de 2014

A FLOR DO CAMINHO — Juan Ramón Jiménez

Como é pura, Platero, e como é bela esta flor do caminho! Passam a seu lado todos os tropéis – os touros, as cabras, os potros, os homens – e ela, tão tenra e tão frágil, permanece erguida, malva e delgada, em seu cercado solitário, sem contaminar-se com impureza alguma.
Todos os dias, quando, ao começar a encosta, tomamos o atalho, tu a viste em seu verde recanto. Já tem a seu lado um passarinho, que se eleva – por quê? – ao nos aproximarmos; ou está repleta, como uma pequena taça, da água clara de uma nuvem de verão; e permite o roubo de uma abelha ou o volúvel adorno de uma mariposa.
Esta flor viverá poucos dias, Platero, embora sua lembrança possa ser eterna. Será sua existência como um dia de tua primavera, como uma primavera de minha vida... O que eu não daria ao outono, Platero, em troca desta flor divina, para que ela fosse, diariamente, o exemplo singelo e sem fim da nossa vida?!