Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


Mostrando postagens com marcador Arcádia Lusitana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arcádia Lusitana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

SONETO 2 — Correia Garção

Lutando com mil sustos, mil pesares,
Com desprezos, enganos, e rigores,
A teu rosto gentil, olhos traidores,
Templos lhe consagrei, ergui-lhe altares.

Rociadas de lágrimas a mares
Degolavam as vítimas Amores:
Ara cruel! suspiros, mágoas, dores
Lançava em denso fumo aos mansos ares.

Chegou Marília de mudar-te o dia;
Teias, secure, pira, vasos, fogo,
Tudo rompeste, tudo aos pés pisaste.

Triunfou, triunfou a tirania,
Mas apesar do altivo desafogo
Ilesa a fé, ileso o amor deixaste.

Secure: está assim no original. Não é a palavra inglesa. Se alguém souber o significado, gostaria de receber a informação.

sábado, 25 de outubro de 2014

TRÊS VEZES VI, MARÍLIA — Correia Garção

Três vezes vi, Marília, de alva lua
Cheio de luz o rosto prateado,
Sem que dourasse o campo matizado
A linda aurora da presença tua.

Então subindo à serra calva e nua,
De um íngreme rochedo pendurado,
Os olhos alongando pelo prado,
Chamava, mas em vão, a morte crua.

Ali comigo vinham ter pastores,
Que meus suspiros férvidos ouviam,
Cortados do alarido dos clamores.

Tanto que a causa do meu mal sabiam,
Julgando sem remédio minhas dores,
Por não poder-me consolar, fugiam.