Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


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sábado, 13 de dezembro de 2014

SUAVE FONTE PURA, QUE DESCES MURMURANDO — Silva Alvarenga

Formas Poéticas 24 — MADRIGAL
De origem italiana, tornou-se um poema de estrofe única, com metros alternados, como se pode ver no seguinte madrigal de Silva Alvarenga.

MADRIGAL 01

Suave fonte pura,
Que desces murmurando sobre a areia,
Eu sei que a linda Glaura se recreia
Vendo em ti de seus olhos a ternura;
Ela já te procura;
Ah! como vem formosa e sem desgosto!
Não lhe pintes o rosto:
Pinta-lhe, ó clara fonte, por piedade
Meu terno amor, minha infeliz saudade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O FOGO DO CORAÇÃO ACENDEU NO PEITO — Hafiz

FORMAS POÉTICAS 16 — GAZAL
O gazal, poema de origem árabe, é um gênero lírico, que consiste num mínimo de cinco dísticos e num máximo de quinze, com o segundo verso ou sua rima servindo de estribilho.
Hafiz foi um poeta persa, que levou à perfeição a forma do gazal. Seus quinhentos poemas foram reunidos num livro chamado O Divã. O gazal seguinte se chama Um Fogo e é dele.

O Fogo do coração acendeu no peito e queimou dolente pelo Amado.
Um fogo havia na casa que a morada queimou.
   
A distância do Amado fez arder meu corpo.
Separado de sua face, um fogo minha alma queimou.
   
Como a tigela, arrependido quebrou meu coração.
Sem vinho nem taça, tal uma tulipa, meu coração se queimou.
   
Vê queimar meu coração, vê o fogo das lágrimas.
O coração da vela, como mariposa, ontem à noite, de compaixão se queimou.   
   
Termina a discussão e volta, que minha pupila,   
removendo seu manto, dando graças o queimou.
   
Quem viu a cadeia unida de tuas madeixas encaracoladas
se inflamou e, para minha loucura, seu coração se queimou.
   
Não é raro que de mim se compadeça o conhecido:   
quando saí de mim mesmo, o coração do estranho se queimou.
   
A água da taverna levou minha medalha de abstinência,
o fogo da taverna minha casa da inteligência queimou.
   
Bebe vinho, Hafiz, e esquece logo da lenda,   
que à noite não dormimos e, por amor da fantasia, a vela se queimou.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

MADRIGAL 01 — Silva Alvarenga

Suave fonte pura,
Que desces murmurando sobre a areia,
Eu sei que a linda Glaura se recreia
Vendo em ti de seus olhos a ternura;
Ela já te procura;
Ah! como vem formosa e sem desgosto !
Não lhe pintes o rosto:
Pinta-lhe, ó clara fonte, por piedade
Meu terno amor, minha infeliz saudade.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

BÁRBARA BELA — Alvarenga Peixoto

Bárbara bela,
Do Norte estrela,
Que o meu destino
Sabes guiar,
De ti ausente,
Triste somente
As horas passo
A suspirar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Por entre as penhas
De incultas brenhas
Cansa-me a vista
De te buscar;
Porém não vejo
Mais que o desejo,
Sem esperança
De te encontrar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Eu bem queria
A noite e o dia
Sempre contigo
Poder passar;
Mas orgulhosa
Sorte invejosa
Desta fortuna
Me quer privar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Tu, entre os braços,
Ternos abraços
Da filha amada
Podes gozar.
Priva-me a estrela
De ti e dela,
Busca dois modos
De me matar.
Isto é castigo
que Amor me dá.