Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


Mostrando postagens com marcador língua alemã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador língua alemã. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de novembro de 2014

SONETO A ORFEU I, 3 - Rainer Maria Rilke

Um Deus pode fazer isto. Mas, dize-me, como
há de segui-lo um homem com sua lira?
A mente está em desacordo. Onde corações se cruzam, 
não haverá nenhum templo a Apolo.

A vera canção, como ensinas, não é desejo,
nem esforço por uma coisa obtida no fim.
A canção é Ser. Para o Deus, fácil.
Mas, quando somos nós? E quando Ele mudará,

então, em nosso ser toda a Terra e as Estrelas?
Não é bastante, jovem, amar, ainda quando
lute a voz contra tua boca – aprende

a esquecer que cantaste. O grito passa.
Na verdade, cantar é um sopro diverso:
um sopro do vazio. Uma rajada no Deus. Um vento.

domingo, 26 de outubro de 2014

SONETO A ORFEU II, 15 - Rainer Maria Rilke

Bocas de fontes, generosas bocas,
Trazendo sempre o vosso canto puro
Pelas golfadas das gargantas roucas:
Ó máscaras talhadas no alto muro!

A água, que pelos aquedutos tensos
Vem dos grotões violáceos do Apenino,
A vetustez dos túmulos suspensos
Dilui no vosso jorro cristalino.

Vão aparando as conchas quais marmóreos
Ouvidos, sussurrantes maravilhas
Da simultânea voz que se propala.

Mas eis que aos pétreos mentos incorpóreos
Chegam criaturas e interceptam bilhas:
Então pára de chofre a vossa fala.

Tradução de José Geraldo Vieira.