Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MARÍLIA DE DIRCEU, PARTE 2, LIRA 37 — Tomaz Antonio Gonzaga

Meu sonoro Passarinho,
Se sabes do meu tormento,
E buscas dar-me, cantando,
Um doce contentamento,

Ah! não cantes, mais não cantes,
Se me queres ser propício;
Eu te dou em que me faças
Muito maior benefício.

Ergue o corpo, os ares rompe,
Procura o Porto da Estrela,
Sobe à serra, e se cansares,
Descansa num tronco dela,

Toma de Minas a estrada,
Na Igreja nova, que fica
Ao direito lado, e segue
Sempre firme a Vila Rica.

Entra nesta grande terra,
Passa uma formosa ponte,
Passa a segunda, a terceira
Tem um palácio defronte.

Ele tem ao pé da porta
Uma rasgada janela,
É da sala, aonde assiste
A minha Marília bela.

Para bem a conheceres,
Eu te dou os sinais todos
Do seu gesto, do seu talhe,
Das suas feições, e modos.

O seu semblante é redondo,
Sobrancelhas arqueadas,
Negros e finos cabelos,
Carnes de neve formadas.

A boca risonha, e breve,
Suas faces cor-de-rosa,
Numa palavra, a que vires
Entre todas mais formosa.

Chega então ao seu ouvido,
Dize, que sou quem te mando,
Que vivo neta masmorra,
Mas sem alívio penando.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

SOBRE PSEUDÔNIMOS 03

Um italiano do século 18, viajando por uma cidade alemã, foi questionado pelo burgomestre da seguinte maneira:
— Por que você assume um nome falso?
E prosseguiu, dizendo:
— Seu nome é Casanova. Então, por que você se apresenta como Seingalt?
Casanova, o acima referido viajante italiano do século 18, assim respondeu:
— Eu assumi esse nome, ou melhor eu o assumo, porque me pertence, e de tal maneira que, se qualquer pessoa se atrever a assumi-lo, eu o contestarei, como minha propriedade, por todos os meios legítimos.
— Ah! e por que é que este nome pertence a você?
— Porque eu o inventei; mas isso não me impede de ser Casanova também.
O burgomestre indagou:
— Afinal de contas, como alguém pode inventar um nome?
— É a coisa mais simples no mundo — Casanova respondeu.
— Tenha a bondade de me explicar isso.
— O alfabeto pertence de modo igual à espécie humana inteira; ninguém pode negar isso. Eu escolhi oito letras e as combinei de modo a elaborar a palavra Seingalt.  Me agradou, e eu a adotei como meu sobrenome, estando persuadido firmemente de que, como ninguém tinha assumido este nome antes, ninguém poderia me privar dele, ou assumi-lo sem meu consentimento.
Suas memórias, que escreveu em francês — Histoire de Ma Vie — e assinou como Jacques Casanova de Seingalt, merecem leitura, mesmo por quem não tem curiosidade histórica, nem se interessa pelos usos e costumes da Europa durante o 18º século.
A propósito: os filmes baseados na Histoire de Ma Vie não chegam perto da qualidade do livro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

SOBRE PSEUDÔNIMOS 02

François-Marie Arouet também tinha um pai que se opunha a seu propósito de se tornar escritor. Vivia numa época de censura absoluta, como o era a monarquia francesa anterior à Revolução. Considerava que tinha sido tão infeliz, usando seu nome de família, que criou outro para si. Embora tenha utilizado quase 200 pseudônimos diferentes, foi o de Voltaire que o tornou conhecido além da França e de seu tempo.

domingo, 3 de agosto de 2014

SOBRE PSEUDÔNIMOS 01

O pai do adolescente Neftali Ricardo Reyes Basoalto era contra sua atividade poética. "Não concordava em ter um filho poeta", segundo declaração do próprio poeta. Neftali adotou então, aos 14 anos, um pseudônimo, para encobrir a publicação de seus primeiros versos. O sobrenome escolhido pertencia a um grande escritor checo, Jan Neruda. Assim, Neftali Ricardo Reyes Basoalto transformou-se em Pablo Neruda. Com esse pseudônimo se tornou famoso no mundo todo e recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1971.
É importante assinalar que o poeta adotou o pseudônimo como seu nome legal, à semelhança do que fez Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, que legalizou seu apelido, também de fama internacional.

sábado, 2 de agosto de 2014

EXPOSIÇÃO DE NINA SOUZA-LIMA

A exposição de Nina Souza-Lima, na Galeria da Prefeitura de Contagem, MG, encerrou-se ontem. Foi vista por centenas de pessoas, que se encantaram com a beleza de suas pinturas.
O pessoal da Casa de Cultura — Fernando Perdigão, Hyvanildo Leite e Olister Barbosa — está de parabéns por sua constante promoção dos valores artísticos de Contagem e de Minas.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MENTE EM PAZ — P'ang Yün

Quando a mente está em paz,
o mundo também está em paz.
Nada real, nada ausente.
Não se agarrando à realidade,
não ficando preso no vazio,
você não é santo nem sábio,
apenas um cara comum que completou seu trabalho.