Eu sou por Natureza feito para meu próprio bem; não para meu próprio mal.

Dos Ensinamentos Áureos de Epicteto.


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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

FANTASIA DO CREPÚSCULO — Friedrich Hölderlin

Descansa o lavrador à sua porta
E vê o fumo do lar subir, contente.
Hospitaleiramente ao caminhante
Acolhem os sinos da aldeia.

Voltam os marinheiros para o porto.
Em longínquas cidades amortece
O ruído dos mercados; na latada
Brilha a mesa para os amigos.

Ai de mim! de trabalho e recompensa
Vivem os homens, alternando alegres
Lazer e esforço: por que só em meu peito
Então nunca dorme este espinho?

No céu da tarde cheira a primavera;
Rosas florescem; sossegado fulge
O mundo das estrelas. Oh! levai-me,
Purpúreas nuvens, e lá em cima

Em luz e ar se me esvaia amor e mágoa!
Mas, do insensato voto afugentado,
Vai-se o encanto; escurece, e, solitário,
Como sempre, fico ao relento.

Vem, suave sono! Por demais anseia
O coração; um dia enfim te apagas,
Ó mocidade inquieta e sonhadora!
E chega serena a velhice.

Tradução de Manuel Bandeira, grande poeta modernista brasileiro.
 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MENTE EM PAZ — P'ang Yün

Quando a mente está em paz,
o mundo também está em paz.
Nada real, nada ausente.
Não se agarrando à realidade,
não ficando preso no vazio,
você não é santo nem sábio,
apenas um cara comum que completou seu trabalho.

terça-feira, 29 de julho de 2014

VIDA OBSCURA — Cruz e Souza

Ninguém sentiu o teu espanto obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto de prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A ALEGRIA DOS PEIXES — Zhuangzi

Em certa cidade, tem um bairro chamado Paraíso das Piabas. Esse belo nome lembra o diálogo entre Zhuangzi e Hui Zi.

Zhuangzi e Hui Zi estavam passeando numa ponte que atravessa o rio Hao, quando pararam por um momento.
Zhuangzi disse:
— Os peixes surgem e nadam tão devagar. Assim é que os peixes se alegram.
Hui Zi disse:
— Você não é um peixe. Como sabe que é assim que os peixes se alegram?
Zhuangzi disse:
— Você não é eu. Como sabe que eu não sei que é assim que os peixes se alegram?
Hui Zi disse:
— Eu não sou você e por isso, certamente, não sei o que você sabe. Você, certamente, não é um peixe e assim você não pode saber com certeza como um peixe se alegra!
Zhuangzi disse:
— Por favor, lembre-se do começo desta conversa. Você me perguntou como eu sabia que os peixes estavam se alegrando. Você é que fez a pergunta. Você já sabia que eu sabia disso, mas você me perguntou de qualquer maneira. Eu soube disso quando nós paramos aqui.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

SOBRE A INUTILIDADE — Zhuangzi

Tsech'i, de Nan-po, estava viajando pela colina de Shang quando viu uma árvore imensa, que o surpreendeu muito. Mil carruagens de quatro cavalos poderiam achar abrigo debaixo de sua sombra.
— Que árvore é esta? — exclamou Tsech'i. — Seguramente deve ter madeira extraordinariamente boa — observou.
Então, viu que seus ramos eram muito tortos para fazer vigas; e olhando para baixo viu que o tronco era retorcido e sem valor para caixões. Ele provou uma folha, mas isso lhe arrancou a pele dos lábios; e seu odor era tão forte que faria um homem se sentir mal durante três dias.
— Ah! — disse Tsech'i, — esta árvore não é realmente boa para nada, e por isso é que atingiu este tamanho. Um homem de espírito poderia bem seguir seu exemplo de inutilidade.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

segunda-feira, 21 de julho de 2014

SENTA-TE COM CALMA — Chen Chiju

Senta-te com calma por um momento e verás quanto andaste loucamente a correr à toa. Aprende a manter a boca fechada e verás como tens falado em demasia. Evita envolver-te em excessivo número de coisas e verás que tens perdido teu tempo em coisas desnecessárias. Fecha tua porta e verás que te tens misturado com demasiadas espécies de gente. Tem poucos desejos e verás por que tens tido tantas enfermidades. Sê humano e verás que tens criticado demais os outros.

domingo, 13 de julho de 2014

AFORISMO N° 3 — KAFKA

"Há dois pecados mortais humanos donde provêm todos os outros: a impaciência e a preguiça. Foram expulsos do Paraíso por causa da sua impaciência, não voltam lá por causa da sua preguiça. Mas talvez não haja senão um pecado mortal: a impaciência. Foram expulsos por causa da impaciência e é por causa da impaciência que lá não voltam."
Franz Kafka, Meditações Sobre o Pecado, o Sofrimento, a Esperança e o Verdadeiro Caminho

quinta-feira, 10 de julho de 2014

NOVE AMEIXAS E UMA IDÉIA





Como disse Chang Chao:
"Somente os que encaram despreocupadamente o que preocupa a gente mundana podem preocupar-se com aquilo que a gente mundana encara despreocupadamente."

domingo, 6 de julho de 2014

MEIAS ABÓBORAS E UM PROVÉRBIO CHINÊS





Sem relação com essas metades de abóbora:
"Sempre que você fizer alguma coisa, aja de forma que isto não dê a seus amigos nenhuma ocasião de desgosto, nem a seus inimigos nenhuma causa de alegria."
Lin Yutang, A Sabedoria da Índia e da China